Haiti contra Brasil: o jogo que já é vitória antes da bola rolar
Técnico Migné transforma partida em palco para redenção nacional, enquanto Ancelotti encara o risco de ser vilão por obrigação
O Haiti não está na Copa do Mundo desde que o Brasil ergueu seu terceiro caneco, em 1970. Enquanto a seleção canarinho coleciona estrelas, a caribenha coleciona crises — políticas, sociais e agora esportivas. Sebastián Migné, o técnico francês que comanda o time sem pisar no país dominado por gangues, sabe que sexta-feira (19) não será sobre placar. Será sobre resistência. 'Muitos gostariam de estar aqui', disse, numa frase que vale por tratado geopolítico. Enquanto o Brasil joga para manter seu status, o Haiti joga para existir. A ironia? Num esporte obcecado por resultados, a derrota mais honrosa pode valer mais que vitórias vazias. Migné fala em 'estar à altura', mas a verdadeira pressão está nos ombros de Ancelotti — perder seria catastrófico, vencer é obrigação, golear vira crueldade. O Haiti já venceu: conseguiu transformar 90 minutos num ato de resistência nacional.