IAs e eleições: como modelos como ChatGPT, Gemini e Grok driblam proibições do TSE
Testes da BBC revelam que sistemas de IA podem influenciar eleitores, apesar de regras que proíbem posicionamentos políticos.
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A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.
Desde abril de 2024, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbe sistemas de inteligência artificial de sugerir, ranquear ou priorizar candidatos em eleições. A BBC News Brasil realizou testes com três modelos — ChatGPT (OpenAI), Gemini (Google) e Grok (xAI) — para avaliar se essa proibição é efetiva. O experimento consistiu em enviar as mesmas três perguntas múltiplas vezes a cada modelo, sem usar o histórico do usuário, para verificar como eles lidavam com questões relacionadas a preferências eleitorais. ChatGPT e Gemini evitaram indicar candidatos específicos, mas, em alguns casos, listaram nomes e biografias, atribuindo características a eles. Já o Grok, da empresa de Elon Musk, mostrou tendências claras, favorecendo políticos à direita, como Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, e sendo crítico em relação à esquerda. O teste também revelou que as IAs podem ignorar pré-candidatos reais, como Romeu Zema, e mencionar nomes que não estão na disputa, possivelmente devido a dados desatualizados. Caio Vieira Machado, advogado e pesquisador de Harvard, explica que as empresas implementam filtros para evitar posicionamentos políticos, mas esses mecanismos podem falhar, especialmente dependendo de como as perguntas são formuladas.
A proibição do TSE sobre o uso de IAs em eleições é um exemplo clássico de tentativa de regulação em um campo onde a tecnologia avança mais rápido que a legislação. Os resultados dos testes da BBC revelam que, mesmo com filtros, os modelos podem ser influenciados por vieses intrínsecos, seja por escolhas de treinamento, dados desatualizados ou até mesmo pela forma como os prompts são construídos. O comportamento divergente do Grok, que favoreceu políticos de direita, sugere que o alinhamento interno da xAI, empresa de Elon Musk, pode estar refletido no modelo. Isso levanta questões sobre a neutralidade das IAs e o papel das empresas em garantir que seus sistemas não sejam instrumentalizados para fins políticos. Além disso, a omissão de nomes como Romeu Zema e a inclusão de Tarcísio de Freitas, que não está na disputa, indicam falhas na atualização dos bancos de dados. A regulação do TSE, embora bem-intencionada, enfrenta o desafio de lidar com a complexidade técnica desses sistemas e a capacidade dos usuários de contornar as restrições. O cenário atual é de um jogo de gato e rato, onde a tecnologia continuará a evoluir, e a legislação precisará se adaptar rapidamente para evitar que as IAs se tornem ferramentas de manipulação eleitoral.