Indústria do RN registra pior queda do Brasil no primeiro quadrimestre de 2026
Recuo de 17,9% supera em mais de dez pontos percentuais a média nacional e expõe fragilidades estruturais
A indústria potiguar registrou queda de 17,9% na produção no primeiro quadrimestre de 2026, segundo dados divulgados pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN). Este foi o pior desempenho entre todos os estados brasileiros no período. O recuo supera em mais de dez pontos percentuais a média nacional, que ficou em 6,4%. Setores como o têxtil, o alimentício e o de transformação de plásticos foram os mais afetados. A FIERN atribuiu o resultado à combinação de fatores como o aumento dos custos de produção, a queda na demanda interna e a concorrência acirrada de produtos importados. O governo estadual anunciou um pacote de medidas emergenciais, incluindo a redução de impostos para o setor industrial e a ampliação de linhas de crédito.
O colapso industrial potiguar não é um acidente isolado, mas o sintoma de uma desconexão estrutural. Enquanto estados vizinhos como Ceará e Pernambuco investiram em infraestrutura logística e atração de indústrias de alta tecnologia, o RN manteve-se refém de setores tradicionais que hoje sofrem com a concorrência asiática. A queda de 17,9% revela a fragilidade de um modelo econômico que apostou todas as fichas em atividades de baixo valor agregado. O timing do pacote emergencial do governo estadual coincide com o início do segundo mandato do governador, sugerindo que a medida tem tanto motivação econômica quanto política. A indústria potiguar precisa de mais do que remédios paliativos: precisa de uma reinvenção estratégica que ainda não aparece no horizonte.