Israel e Líbano retomam negociações em Roma sob pressão do Hezbollah
Acordo de segurança enfrenta impasse sobre desarmamento enquanto EUA mediam sétima rodada de discussões
Israel e Líbano retomaram nesta terça-feira (4) negociações em Roma para implementar o acordo de segurança firmado no fim de junho, mediadas pelos Estados Unidos. O acordo prevê a retirada gradual das forças israelenses do sul do território libanês e a expansão do controle do Exército do Líbano sobre áreas evacuadas. Esta é a sétima rodada de negociações desde o início do processo patrocinado por Washington, com foco na ampliação das 'zonas-piloto', questões fronteiriças pendentes e construção de um entendimento mais amplo sobre segurança. O Hezbollah, principal grupo de oposição, rejeitou o processo e atacou o presidente Joseph Aoun, enquanto admitia pela primeira vez a possibilidade de diálogo com as novas autoridades da Síria. Apesar da diminuição das hostilidades desde junho, Beirute continua denunciando ataques esporádicos de Israel e operações militares no sul do país. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, pediu espírito construtivo aos negociadores para colocar em prática o acordo, cuja aplicação integral está vinculada à questão do arsenal do Hezbollah, ainda sem solução.
As negociações entre Israel e Líbano em Roma revelam uma complexa engrenagem de interesses regionais e pressões táticas. Os EUA, como mediadores, buscam consolidar sua influência no Oriente Médio após anos de instabilidade, enquanto o Hezbollah resiste ao acordo como forma de manter seu poder político-militar no Líbano. A abertura do grupo xiita ao diálogo com a Síria sugere uma estratégia paralela para fortalecer sua posição regional, reduzindo o isolamento. Para Israel, o acordo representa uma chance de estabilizar sua fronteira norte sem ceder em questões de segurança, mas o impasse sobre o desarmamento do Hezbollah mantém a tensão. O timing das negociações coincide com a crescente pressão internacional por uma solução duradoura, enquanto as partes testam os limites de suas concessões sem perder apoio interno. A Itália, como anfitriã, busca projetar seu papel diplomático na região, em um momento de redefinição de alianças globais.