Jaques Wagner afirma que provará inocência em investigação sobre Banco Master
Senador do PT-BA cita apoio de Lula e lembra caso de 2018 para reforçar narrativa de perseguição política.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou nesta sexta-feira (31) que provará sua inocência nas investigações que o ligam ao Banco Master. Em entrevista à Rádio Baiana FM, Wagner disse que não pode dar detalhes sobre o caso por orientação de seus advogados, mas citou o ministro do STF André Mendonça, relator do caso, para argumentar que o inquérito pode servir tanto para confirmar quanto para afastar suspeitas. Wagner destacou que está focado na eleição e recebe apoio do presidente Lula, com quem estará na convenção do PT-BA neste sábado (1º). Documentos da Polícia Federal indicam que o senador e o empresário Augusto Ferreira Lima, ligado ao Banco Master, mantiveram 74 ligações telefônicas entre novembro de 2023 e maio de 2025, totalizando cinco horas e meia de duração. Além disso, há relatos de que Wagner recebeu presentes, usou jatinhos e intermediou um encontro entre executivos do banco e o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias. Wagner também lembrou de outra investigação contra ele em 2018, durante a campanha para o Senado, que acabou arquivada pela Justiça.
Jaques Wagner escolheu o timing estratégico para se defender publicamente: com a convenção do PT-BA marcada para o dia seguinte, o senador reforça sua imagem de aliado próximo de Lula, blindando-se politicamente enquanto o inquérito avança. A menção ao ministro André Mendonça é um tiro certeiro: Wagner usa a autoridade do relator para sugerir que o inquérito pode absolvê-lo, enquanto evita detalhes comprometedores. O senador aposta na narrativa de perseguição política, lembrando o caso de 2018, também em ano eleitoral, para deslegitimar as investigações atuais. Os detalhes das ligações com Augusto Ferreira Lima e os supostos benefícios recebidos sugerem uma relação próxima demais para ser casual, mas Wagner sabe que o ritmo lento da Justiça brasileira joga a seu favor. O apoio de Lula é crucial: o PT não pode perder um senador influente como Wagner, especialmente em um momento em que a base governista precisa de toda a força possível para enfrentar as turbulências políticas e econômicas.