José Olympio: A revolução gráfica que moldou o modernismo brasileiro
Livro e exposição resgatam o design editorial da editora que uniu literatura e artes visuais entre 1932 e 1962
A editora José Olympio não apenas reuniu os principais nomes da literatura brasileira moderna — de Graciliano Ramos a Guimarães Rosa — mas também reinventou o design editorial nacional. O recém-lançado 'Padrões e Variações — Artes Gráficas na Livraria José Olympio Editora', da designer Carla Fernanda Fontana, mapeia cinco anos de pesquisa sobre 2.500 edições, documentos e reportagens, revelando como capas e ilustrações se tornaram parte integral da identidade literária brasileira. Acompanhando o livro, uma exposição na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (USP) apresenta uma seleção de capas, esboços e artes-finais da editora, destacando a obra do artista paraibano Tomás Santa Rosa. Na década de 1930, enquanto a Europa debatia o Bauhaus, a José Olympio já consolidava uma estética gráfica que dialogava com o modernismo nacional, ainda que com orçamentos modestos. Segundo o crítico Antonio Candido, suas capas se tornaram 'o símbolo da renovação incorporada ao gosto do público' — prova de que arte e literatura, quando entrelaçadas, podem redefinir uma cultura.