Julia Guedes reconcilia legado e contemporaneidade em disco de estreia
Neta de Beto Guedes entrega álbum que dialoga com raízes do Clube da Esquina e novas referências da música brasileira
A busca por uma identidade própria nunca foi simples para Julia Guedes. Crescer sob o peso de um sobrenome como o de Beto Guedes, figura fundamental do Clube da Esquina, impôs desde cedo o desafio de construir uma trajetória que fosse além da herança familiar. Em 'Vermelho', seu álbum de estreia, a cantora mineira encontraria uma resposta: não fugir, mas incorporar. Gravado no Rio de Janeiro — escolha estratégica que ela descreve como gesto de emancipação —, o disco navega entre referências ancestrais e contemporâneas, entre o legado de Beto Guedes e Wagner Tiso e o frescor de nomes como Dora Morelenbaum. A jornada de Julia passa pela descoberta do sotaque mineiro em terra carioca, pelo encontro com seu próprio timbre vocal após mergulhar na obra do avô durante a pandemia, e culmina com uma homenagem que fecha o ciclo familiar: 'A Página do Relâmpago Elétrico', composição do bisavô Godofredo Guedes, encerra o álbum assim como abriu o primeiro disco de Beto. Mais que um tributo, 'Vermelho' é um ato de reconciliação com a própria história.