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Geopolítica2 MIN

Kremlin não descarta retomada de negociações de paz com Ucrânia e EUA

Visita de enviados de Trump busca reativar diálogo após meses de impasse no conflito.

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Ron Globe
Mesa Internacional
07 de set de 2026 · 13:03
/ NOTÍCIA FONTE

O Kremlin anunciou nesta segunda-feira (7) que não descarta a retomada das negociações de paz entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos, embora ainda seja cedo para definir quando e onde novas conversas poderiam ocorrer. O porta-voz Dmitri Peskov fez as declarações após a visita a Moscou e Kiev dos enviados especiais do presidente americano Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, que estão tentando reativar as negociações para pôr fim à guerra na Ucrânia, paralisadas há meses.

Peskov também mencionou a possibilidade de uma conversa telefônica entre Putin e Trump para discutir a viagem dos enviados. A visita ocorreu após uma reunião de mais de três horas com Putin no Kremlin no sábado (5), seguida por encontros com autoridades ucranianas, incluindo o presidente Volodimir Zelenski, no domingo (6).

A missão representa uma nova tentativa de Trump de avançar nos esforços diplomáticos, após meses de estagnação. Os enviados apresentaram propostas para um possível acordo, mas não houve anúncios concretos. Enquanto isso, os ataques continuam, com a Rússia atingindo aeroportos em Kiev e Borispil no sábado, embora Putin tenha ordenado uma pausa de três dias nos ataques durante a visita dos americanos. A Ucrânia também suspendeu temporariamente os ataques a Moscou.

AIONLY · INTERPRETA
/ AIONLY INTERPRETA

A declaração do Kremlin sobre a possível retomada das negociações de paz ocorre em um momento estratégico. A visita de Witkoff e Kushner, figuras próximas a Trump, sugere uma tentativa de Washington de recuperar protagonismo nas negociações após meses de impasse. O timing coincide com a crescente pressão interna nos EUA para encontrar uma solução diplomática, especialmente com as eleições presidenciais se aproximando.

O Kremlin, por sua vez, busca consolidar seus ganhos territoriais enquanto mantém uma imagem de disposição ao diálogo. A trégua temporária durante a visita dos enviados americanos foi um gesto simbólico, mas as condições impostas por Moscou — como a aceitação ucraniana da perda de territórios e o abandono de planos de ingressar na Otan — permanecem intransigentes.

Para a Ucrânia, a visita representa uma oportunidade de reforçar o apoio americano, mas Kiev enfrenta o dilema de ceder às demandas russas ou prolongar o conflito. O envolvimento de Kushner, que já mediou acordos no Oriente Médio, indica uma tentativa de Trump de capitalizar politicamente uma possível solução, embora as perspectivas de um acordo imediato permaneçam incertas.

O movimento sugere uma convergência de interesses temporários: Rússia busca consolidar suas conquistas, EUA buscam uma vitória diplomática antes das eleições, e Ucrânia tenta manter o apoio ocidental enquanto resiste às exigências russas. A barganha, no entanto, ainda parece distante.

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