Luque no tablado: a defesa do neurocirurgião e o teatro jurídico da morte de Maradona
Principal réu acusa peritos de 'viés de confirmação' enquanto julgamento entra em reta final
O palco do tribunal de San Isidro testemunhou nesta quinta-feira (3) mais um ato do drama judicial que tenta decifrar as circunstâncias da morte de Diego Maradona. Leopoldo Luque, neurocirurgião e principal réu no caso, montou sua defesa atacando diretamente os peritos médicos: acusou-os de terem 'viés de confirmação' e buscarem 'o que lhes convinha' nas evidências. A estratégia é clara — desconstruir o relatório que apontou falhas graves na equipe médica do ídolo. 'O paciente descrito pelos peritos não é o que tínhamos diante de nós', afirmou Luque, tentando separar o Maradona vivo dos laudos póstumos. O paradoxo é cruel: quanto mais ele insiste na normalidade dos exames, mais expõe a fragilidade de um sistema que permitiu a um homem tão doente ser declarado 'estável'. Enquanto isso, os sete acusados — todos negando homicídio com dolo eventual — aguardam o último ato deste julgamento que já dura cinco meses. A plateia, formada por uma nação inteira, sabe que nenhuma sentença será capaz de julgar o que realmente matou Maradona: a combinação explosiva entre gênio indomável e máquina de explorar mitos.