Maracanã e os Frágeis Alicerces do Futebol Feminino
Enquanto Fifa investe US$ 800 milhões em mundial feminino, estádios recebem migalhas por aluguel — e o simbolismo pesa mais que o dinheiro
A investigação que a matéria não cobriu. Conexões, contexto histórico, fontes extras.
A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.
O Maracanã, templo sacrossanto do futebol brasileiro, será alugado por míseros US$ 200 mil para a final da Copa do Mundo Feminina de 2027. A cifra, que mal paga um mês da folha salarial de um craque masculino, revela o abismo entre o discurso de igualdade e a prática financeira. A Fifa, que prevê arrecadar US$ 1,2 bilhão com o torneio, reserva apenas US$ 344 milhões para investimentos no futebol feminino. Os estádios, por sua vez, recebem valores residuais por aluguel, quase como uma esmola simbólica. O contrato do Maracanã, por exemplo, foi negociado em dólar, blindando a Fifa da volatilidade cambial — detalhe que os clubes brasileiros não costumam ter. Enquanto isso, Flamengo e Fluminense cobram R$ 300 mil por partida para alugar o estádio, mas abrem mão de 47% desse valor para a Fifa. O futebol feminino cresce, mas ainda joga em campo minado — onde o capital fala mais alto que a bola.