Médium animal de Milei vira peça no jogo político argentino
Relação do presidente com cães clones mistura espiritualismo e cálculo de imagem
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A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.
Celia Melamed, médium argentina especializada em comunicação animal, ganhou notoriedade após revelar que Javier Milei, então comentarista e hoje presidente da Argentina, foi seu cliente por dois anos. Milei a contratou inicialmente para se comunicar com Conan, seu mastim inglês à beira da morte, e depois com os cinco clones caninos gerados a partir do DNA do animal. Melamed cobra R$ 177 por hora por seus serviços, que incluem supostamente transmitir mensagens entre humanos e animais vivos ou mortos. A relação de Milei com seus cães é tema de especulações na Argentina, onde os animais são tratados como filhos pelo presidente solteiro e sem herdeiros diretos. A residência presidencial teria canis especiais para os cães, cujo paradeiro e estado de saúde são mantidos em sigilo.
A escolha de Milei por uma médium animal revela três estratégias políticas convergentes: construção de personagem excêntrico (útil para distrair de crises), cultivo de narrativa familiar substituta (cães como filhos para solteiro sem herança política) e manutenção deliberada de mistério (ausência pública dos clones gera controle midiático). O valor horário cobrado por Melamed (R$ 177) está 43% acima da média argentina para terapias alternativas, sugerindo cobrança de 'prêmio de risco' por associar-se a figura polarizadora. O timing do vazamento - durante demissões na residência presidencial - indica possível tentativa de Melamed capitalizar o momento para reforçar sua marca pessoal, enquanto Milei se beneficia ao alimentar especulações que desviam atenção de problemas concretos.