Melly explora espiritualidade africana para tecer narrativa pop em segundo álbum
Em 'Mais Forte que a Dúvida', cantora baiana dialoga com tradições adinkras enquanto consolida proposta musical afro-baiana
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O segundo álbum de Melly, 'Mais Forte que a Dúvida', lançado nesta quinta-feira (28), opera uma guinada conceitual em relação ao Grammy Latino indicado 'Amaríssima'. Enquanto o primeiro trabalho expunha feridas emocionais, o novo disco busca uma espiritualidade conectada às raízes africanas, inspirando-se nos símbolos adinkras do povo Akan de Gana. A artista baiana encontrou na filosofia Sunsum – que conecta intuição, intenção e coletividade – o eixo para construir músicas que transitam entre pagodão, samba de roda, reggae e R&B.
Ao mergulhar em estudos sobre espiritualidade africana e consciência coletiva, Melly consolidou uma proposta pop que se recusa a diluir suas referências culturais. A confiança na voz autoral aparece tanto nas letras quanto na produção, concluída em quatro meses – tempo significativamente menor que os dois anos dedicados ao álbum anterior. Títulos como 'Como Deve Ser (Nem Me Estresso Mais)' e 'Mirante' traduzem essa nova postura, com afirmações que ecoam o simbolismo adinkra de conexão entre o indivíduo e o todo.
O álbum marca um passo além na construção de uma linguagem pop enraizada na afro-baianidade, sem concessões ao mainstream pasteurizado. Melly parece ter encontrado na espiritualidade ancestral um caminho para afirmar-se enquanto artista pop sem abrir mão de suas matrizes culturais.