Mercado rejeita intervenção do Tesouro americano e pressiona títulos de longo prazo
Apesar de dobrar compras de dívida, rendimentos sobem e revelam ceticismo com medidas paliativas
Os títulos de dívida de longo prazo do governo dos EUA enfrentaram nova pressão de venda nesta quinta-feira (20/08/2026), apesar da intervenção do Tesouro para sustentar o mercado. O rendimento dos títulos de 30 anos subiu 0,06 ponto percentual, para 5,24%, revertendo parte da queda de 0,09 ponto registrada após o anúncio do Tesouro na quarta-feira. A instituição havia declarado que dobraria suas compras de títulos com vencimento entre 10 e 30 anos, elevando as operações de US$ 2 bilhões para 'pelo menos' US$ 4 bilhões. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, argumentou que o mercado havia 'se adiantado um pouco' e sinalizou novos anúncios para reduzir o déficit, mas suas declarações tiveram impacto limitado. O dólar também continuou sua trajetória de queda, recuando até 0,3% após cair 0,8% no dia anterior.
A reação do mercado revela a assimetria entre a capacidade de intervenção do Tesouro e as preocupações estruturais dos investidores. O timing da medida - com a dívida nacional batendo recorde de US$ 40 trilhões - sugere uma tentativa de conter danos antes de possíveis medidas fiscais mais duras. A linguagem usada por Bessent ('pelo menos' US$ 4 bi) mantém portas abertas para escalada, enquanto sua menção a futuras iniciativas contra o déficit indica que a atual intervenção é paliativa. O fato de títulos britânicos também sofrerem pressão mostra um cenário global de aversão a risco em dívidas soberanas. O Tesouro opera no limite: precisa sinalizar compromisso fiscal sem desestabilizar ainda mais o mercado de títulos, que tem absorção limitada para intervenções diretas em larga escala.