Milhazes Desfetichizada: Pinacoteca Expõe o Método por Trás da Magia
Exposição de gravuras revela o pensamento plástico da artista, deslocando o foco do produto acabado para o processo experimental
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A Pinacoteca de São Paulo apresenta, a partir deste sábado (16), uma exposição que desmistifica o processo criativo de Beatriz Milhazes. 'Beatriz Milhazes: Gravuras do Acervo da Pinacoteca de São Paulo' reúne 27 obras produzidas entre 1996 e 2019, doadas ao museu em 2009 e 2024. A mostra, curada por Renato Menezes, propõe um olhar inverso ao fetichismo da obra finalizada, privilegiando o pensamento plástico em ação. Milhazes, conhecida pelo rigor geométrico e uso explosivo de cores em pinturas, encontra na gravura um raciocínio quase antagônico. A técnica da serigrafia, predominante na exposição, é reinventada pela artista: matrizes sobrepostas criam efeitos de transparência e profundidade cromática que desafiam a bidimensionalidade tradicional do método. Em parceria com o impressor Jean-Paul Russell, da Durham Press, Milhazes transforma a gravura em campo de experimentação contínua, onde formas são testadas, abandonadas e retomadas em ciclos quase obsessivos. A exposição fica em cartaz até março de 2027, com entrada gratuita aos sábados e no segundo domingo de cada mês.