Minas Gerais e Amazonas acertam vencedor presidencial desde 1989
Estados-pêndulo indicam presidente eleito há mais de três décadas, consolidando papel decisivo.
Minas Gerais e Amazonas repetiram o papel de Estados-pêndulo nas eleições presidenciais de 2026, ao indicarem corretamente o vencedor, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi reeleito com 51,8% dos votos válidos, contra 48,2% de Flávio Bolsonaro (PL). Essa foi mais uma confirmação de um padrão que se repete desde 1989, quando ambos os Estados escolheram Fernando Collor de Mello (PRN) em vez de Lula, na primeira eleição direta após a redemocratização. Em 1994 e 1998, Minas Gerais e Amazonas seguiram o voto nacional ao elegerem Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com percentuais superiores a 50% em ambos os Estados. Já em 2002, 2006 e 2010, Lula e Dilma Rousseff (PT) foram os escolhidos pelos eleitores desses Estados, consolidando o papel decisivo dessas unidades federativas na definição do presidente.
A precisão de Minas Gerais e Amazonas em escolher o vencedor das eleições presidenciais desde 1989 não é mera coincidência, mas resultado de características socioeconômicas e políticas únicas. Minas Gerais, com sua diversidade econômica que vai da agricultura à indústria, e o Amazonas, marcado pela forte presença do setor industrial da Zona Franca de Manaus, representam microcosmos do Brasil. Esses Estados não têm uma preferência política fixa, o que os torna sensíveis às oscilações do eleitorado nacional. Além disso, o tamanho do eleitorado mineiro e a localização estratégica do Amazonas na região Norte conferem a esses Estados um peso desproporcional na balança eleitoral. Essa capacidade de refletir o sentimento nacional explica por que os dois Estados têm sido tão precisos em suas escolhas ao longo das décadas.