Ministros aliados de Moraes cogitam alegar suspeição de Kassio e Fux devido a elo de filhos com o Master
Disputa interna no STF vai além do caso do Banco Master, com estratégias para nivelar o campo e controlar a narrativa.
A investigação que a matéria não cobriu. Conexões, contexto histórico, fontes extras.
Ministros aliados de Alexandre de Moraes no STF estudam pedir a suspeição de Kassio Nunes Marques e Luiz Fux no julgamento de terça-feira (15). A medida faz parte da estratégia da ala pró-Moraes para fazer frente ao presidente do STF, Edson Fachin, que pautou o caso que discute as suspeitas que recaem sobre Moraes, mas deixou de fora o processo que suscita abuso de autoridade e métodos ilegais por parte de André Mendonça. A questão de ordem deve apontar que uma consultoria ligada ao advogado Kevin Marques, filho de Kassio, recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master, assim como o advogado Rodrigo Fux, filho de Fux, foi um dos convidados do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, em um camarote VIP da Sapucaí, em 2025. Moraes e seus aliados avaliam que essas duas notícias podem apontar para um conflito de interesse e que o plenário precisa analisar isso antes que o julgamento avance para o mérito das mensagens enviadas por Vorcaro. Além disso, a artilharia da ala pró-Moraes deve expor o encontro que o próprio Mendonça teve com Vorcaro em 2025, e a suspeita de que o ministro teria recebido um terno como presente de pessoas ligadas ao ex-banqueiro, o que ele nega. Decano da corte, Gilmar Mendes propôs formalmente a Fachin que os casos Moraes e Mendonça fossem julgados em conjunto, por entender que os dois processos são correlatos e indissociáveis, mas o presidente do STF negou a solicitação.
A estratégia de pedir a suspeição de Kassio e Fux revela uma disputa interna no STF que vai além do caso do Banco Master. A ala pró-Moraes tenta nivelar o campo ao expor supostos conflitos de interesse de ministros próximos a Mendonça, enquanto Fachin mantém o foco apenas nas suspeitas sobre Moraes. O timing é crucial: ao forçar a discussão sobre suspeição, Moraes e seus aliados buscam diluir as acusações contra ele e criar uma narrativa de que todos têm 'podres' a serem expostos. O movimento também sinaliza uma tentativa de controle da narrativa, já que Fachin decidiu separar os julgamentos, o que poderia isolar as críticas a Moraes. A questão de ordem sobre Kassio e Fux não é apenas jurídica, mas política, buscando deslegitimar os votos de dois ministros-chave na decisão final. A estratégia de Moraes e seus aliados parece ser a de transformar o julgamento em um campo minado, onde todos estão sob suspeita, diluindo assim a atenção sobre as acusações específicas contra ele.