Mo Yan e a IA: entre a torre de Babel digital e a tradição oral
Nobel de Literatura chinês vê na tecnologia uma ponte para novas formas narrativas, mas alerta para o risco de apagamento das raízes culturais
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Em conferência na Unesp, Mo Yan, Nobel de Literatura em 2012, traçou um paralelo entre a torre de Babel e os desafios contemporâneos da comunicação global. Para o escritor chinês, a inteligência artificial surge como resposta tecnológica à fragmentação linguística, prometendo superar barreiras que outrora pareciam intransponíveis. No entanto, Yan alerta para o paradoxo: enquanto a tecnologia conecta, também desconecta das raízes. A eletrificação e a urbanização já haviam acelerado o declínio da tradição oral em sua infância rural; hoje, o smartphone completa esse movimento, tornando as histórias dos anciãos menos atraentes que os vídeos curtos das plataformas digitais. Yan não se mostra pessimista, mas pragmático: assim como a cultura oral se adaptou à era eletrônica, novas formas narrativas emergirão na era digital. Seu último livro, 'Ren Na', é prova disso — uma obra influenciada pela dinâmica das redes sociais que, em um mês, vendeu mais de 600 mil cópias na China. A questão que permanece é como equilibrar a ponte tecnológica com a preservação das raízes culturais que a sustentam.