Moraes autoriza prisão de deputado eleito no RJ por lavagem de dinheiro em postos
Operação Unha e Carne prende Márcio Canella e ex-chefe da Polícia Civil em esquema que envolvia agentes públicos.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a prisão do deputado eleito Márcio Canella (União-RJ) e do ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Marcus Amim, em uma operação contra lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis. A ação, denominada 'Operação Unha e Carne', também atingiu mais quatro policiais civis. De acordo com as investigações, o esquema utilizava postos de gasolina para movimentar recursos ilícitos, com a possível participação de agentes públicos. A decisão de Moraes ocorre em meio a uma série de operações contra corrupção e lavagem de dinheiro no estado do Rio de Janeiro, que tem sido alvo frequente de investigações nos últimos anos.
A prisão de Márcio Canella, deputado eleito pela União Brasil, não é apenas mais um capítulo na saga de operações contra corrupção no Rio de Janeiro. O timing da decisão de Moraes, às vésperas do início do mandato parlamentar, sugere uma mensagem clara ao Congresso: o STF não hesitará em agir, mesmo contra políticos recém-eleitos. A escolha de Moraes como relator também não é casual — seu histórico de medidas duras em casos semelhantes reforça a narrativa de endurecimento judicial. Por trás do esquema de lavagem em postos de combustíveis, há uma rede de interesses que beneficiava agentes públicos e policiais civis, indicando uma simbiose entre o crime organizado e a máquina estatal. A omissão de detalhes sobre os outros quatro policiais presos levanta questões sobre a extensão real do esquema e quem mais pode estar envolvido. A operação, portanto, não é apenas um ato de combate à corrupção, mas também um movimento estratégico do judiciário para reforçar sua autonomia em um momento de tensão entre os poderes.