Morte de jovem em abordagem policial reacende debate sobre crises psicológicas
Famílias questionam protocolos após casos em São Paulo; oeste do PR enfrenta desafios similares
A mãe de Gustavo Munis de Santana, morto com 27 tiros pela Polícia Militar em São Paulo, questionou publicamente as declarações do secretário de Segurança Pública Osvaldo Nico Gonçalves, que defendeu a ação dos agentes como legítima e dentro dos protocolos. Santiana Munis, em entrevista ao Fantástico, destacou que seu filho estava em crise psicológica e que os policiais foram alertados sobre o risco de suicídio. 'Em caso de suicídio, você vai lá e mata?', questionou. O caso ocorreu no bairro do Planalto Paulista, em Moema, na madrugada de 10 de outubro. O secretário afirmou que os policiais foram 'afrontados' e agiram conforme o treinamento. A família contesta, afirmando que Gustavo nunca havia tentado suicídio antes e estava em tratamento para ansiedade. O governador Tarcísio de Freitas admitiu a necessidade de revisar procedimentos após uma série de casos semelhantes, incluindo a morte de Antonio Nunes Batista, de 40 anos, que tinha esquizofrenia e foi alvejado por 24 tiros em outra abordagem.
Os casos de Gustavo Munis e Antonio Nunes Batista reacendem o debate sobre a atuação policial em situações de crise psicológica, um tema que repercute nacionalmente, mas que no oeste do Paraná ganha contornos específicos. A região, que tem uma das maiores taxas de suicídio do país, segundo dados do Ministério da Saúde, enfrenta desafios na capacitação das forças de segurança para lidar com emergências em saúde mental. Enquanto em São Paulo a discussão se centra no excesso de letalidade, aqui a questão é a ausência de protocolos regionalizados. O Conselho de Segurança da AMOP (Associação dos Municípios do Oeste do Paraná) já debateu a criação de um núcleo especializado em mediação de crises, mas o projeto ainda não saiu do papel. A Polícia Militar do Paraná, por sua vez, realiza treinamentos periódicos, porém sem foco específico em saúde mental. A falta de leitos psiquiátricos na região - apenas Cascavel e Foz do Iguaçu possuem unidades especializadas - sobrecarrega as abordagens policiais, muitas vezes o primeiro contato em situações de crise. O tema é sensível numa região com forte presença militar e policial, onde o debate sobre segurança pública costuma ser polarizado.