Mortos no terremoto das Filipinas sobem para 46; 17 desaparecidos
Terremoto de magnitude 7,8 expõe desafios em infraestrutura e resposta a desastres no sul do país.
O número de mortos no terremoto de magnitude 7,8 que atingiu o sul das Filipinas subiu para 46, segundo informações atualizadas nesta quarta-feira (10). O terremoto, que ocorreu na segunda-feira (8), sacudiu a costa da ilha de Mindanao, causando desabamentos de edifícios, deslizamentos de terra e alertas de tsunami em países vizinhos como Indonésia, Palau, Taiwan e Papua-Nova Guiné. A cidade de General Santos tem sido o centro dos esforços de resgate, apesar da ameaça constante de novos tremores secundários. Uma das vítimas foi Joey Deluvio, funcionário de um supermercado que desabou na cidade. Equipes de resgate encontraram seu corpo preso entre duas vigas, sem sinais de vida. Na província de Sarangani, uma das mais afetadas, algumas áreas só são acessíveis por helicóptero, e os tremores secundários dificultam o trabalho das equipes. O coordenador da Defesa Civil regional, Rodrigo Sosmena, destacou os principais obstáculos enfrentados pelos socorristas. Além disso, mais de 60 pacientes estão sendo atendidos na rua em Glan, onde um deslizamento de terra soterrou casas e matou ao menos 13 pessoas. As Filipinas estão localizadas no chamado Anel de Fogo do Pacífico, uma área de intensa atividade tectônica, o que explica a frequência de terremotos na região.
O terremoto nas Filipinas expõe uma vulnerabilidade estrutural que vai além da tragédia imediata. Localizadas no Anel de Fogo do Pacífico, as Filipinas enfrentam centenas de terremotos anualmente, mas a infraestrutura local ainda não está completamente preparada para eventos dessa magnitude. A concentração de esforços em General Santos, cidade mais desenvolvida, revela uma disparidade na capacidade de resposta entre áreas urbanas e rurais. Enquanto o acesso por helicóptero é possível em Sarangani, outras regiões remotas podem estar ainda mais isoladas, com vítimas e danos não contabilizados. O aumento no número de desaparecidos de quatro para 17 em apenas dois dias sugere que a falta de recursos e coordenação pode estar retardando a identificação de vítimas. Além disso, a dependência de alertas de tsunami emitidos e suspensos rapidamente indica uma necessidade de aprimoramento nos sistemas de monitoramento e comunicação de emergência. O governo filipino enfrenta o desafio de equilibrar a resposta imediata com investimentos de longo prazo em infraestrutura resiliente e sistemas de alerta mais eficientes. A tragédia também coloca pressão sobre o país para fortalecer parcerias regionais, especialmente com vizinhos como Indonésia e Taiwan, que compartilham riscos sísmicos semelhantes.