Move Brasil institui taxas diferenciadas por gênero em linha de crédito para motoristas
Política de descontos para mulheres reacende debate sobre equidade versus igualdade formal no acesso a financiamentos
O programa Move Brasil, linha de crédito federal para motoristas de aplicativo, estabeleceu critérios distintos para homens e mulheres — com taxas de juros 20% menores para o público feminino. A medida, anunciada como política de equidade, replica modelos setoriais como o do microcrédito, mas expõe fissuras na concepção liberal de neutralidade de gênero em serviços financeiros. O histórico de assimetrias — mulheres representam apenas 18% dos motoristas cadastrados nas plataformas e enfrentam custos operacionais 15% superiores por questões de segurança — justificaria a discriminação positiva. Críticos apontam que a solução deveria vir via equalização estrutural (iluminação pública, patrulhas) em vez de subsídios pontuais. O caso torna tangível o dilema brasileiro: compensar desigualdades históricas sem naturalizar diferenças como categoria permanente.