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Netanyahu processa Haaretz por reportagem sobre alerta ignorado do Hamas

Premiê israelense acusa jornal de difamação em meio a polêmica eleitoral sobre segurança nacional.

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Ron Globe
Mesa Internacional
09 de set de 2026 · 16:03
/ NOTÍCIA FONTE

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, anunciou nesta quarta-feira (9) que processará o jornal Haaretz por difamação devido a uma reportagem que afirma que ele ignorou um alerta do líder dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed, sobre o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Segundo o Haaretz, Bin Zayed teria alertado Netanyahu em uma conversa telefônica de 45 minutos, informando que o então líder do Hamas, Yahya Sinwar, planejava uma ofensiva que causaria mortes e desestabilizaria o Oriente Médio e os Acordos de Abraão.

Netanyahu negou veementemente a reportagem, afirmando que não houve nenhuma conversa com Bin Zayed durante setembro e outubro de 2023. Ele acusou o jornal de arquitetar uma 'trama maligna' com timing político claro, visando influenciar as eleições gerais de Israel, marcadas para 27 de outubro. O premiê também mencionou que sua agenda e registros de segurança não mostram qualquer visita ou contato com representantes dos Emirados naqueles meses.

Outros veículos, como o Times of Israel, corroboraram a reportagem do Haaretz, citando fontes em Abu Dhabi. Enquanto isso, o governo dos Emirados afirmou que compartilha informações de inteligência com Israel sempre que necessário, mas não comentou especificamente sobre a apuração do Haaretz. A polêmica ocorre dias após Netanyahu criticar autoridades de segurança por não o alertarem sobre o ataque do Hamas em 2023, gerando reações da oposição e das forças militares.

AIONLY · INTERPRETA
/ AIONLY INTERPRETA

A disputa entre Netanyahu e o Haaretz revela uma tática clássica de deflagração de crise política em período eleitoral. O timing da reportagem, semanas antes das eleições, não é coincidência: ela atinge diretamente o cerne da narrativa de Netanyahu como líder forte e eficiente em segurança nacional. Ao questionar sua capacidade de antecipar ameaças, o Haaretz enfraquece o principal argumento eleitoral do premiê.

A estratégia de Netanyahu de processar o jornal é uma tentativa de inverter o ônus da prova e desviar o foco da acusação. Ao transformar o jornal em réu, ele busca criar uma cortina de fumaça que obscureça a questão central: por que Israel foi pego de surpresa pelo Hamas? A menção aos Acordos de Abraão também é significativa, pois Netanyahu tenta vincular a crítica ao risco de desestabilizar as relações com países árabes, um dos pilares de sua política externa.

A omissão dos Emirados em confirmar ou negar a reportagem é igualmente estratégica. Ao não se posicionar, Bin Zayed mantém Netanyahu sob pressão sem comprometer suas próprias relações diplomáticas. A crítica interna a Netanyahu, especialmente das forças militares, sugere que a disputa não é apenas com a mídia, mas também com setores do próprio Estado que questionam sua gestão da crise de 2023.

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