Nevasca histórica na Argentina paralisa rota crítica para exportações do Mercosul
Caminhoneiros brasileiros enfrentam 22 dias de retenção em Mendoza, com impactos em cadeias logísticas do oeste paranaense
O caminhoneiro Jairo Luan Gomes, de Sombrio (SC), completa 22 dias retido na região de Uspallata, província de Mendoza, Argentina, devido ao fechamento do Paso Los Libertadores por nevasca histórica. O corredor fronteiriço com o Chile registra acúmulo de até três metros de neve, paralisando 580 caminhões no pátio aduaneiro e adjacências. A Associação de Caminhoneiros de Mendoza fornece doações de alimentos e água, enquanto condições sanitárias precárias – banheiros improvisados e água gelada – agravam a situação. A Agência Federal de Emergências argentina atua no resgate de turistas, mas caminhoneiros dependem da previsão de melhora climática após 8 de agosto para remoção da neve no trecho crítico de Las Cuevas.
O bloqueio no Paso Los Libertadores repete padrões logísticos críticos para o Mercosul. Em anos normais, 70% das cargas brasileiras para o Pacífico (frutas chilenas, cobre peruano) passam por essa rota andina. O gargalo expõe a dependência do modal rodoviário – enquanto Argentina e Chile avançam no túnel binacional Agua Negra (2028), o Brasil mantém 92% do comércio exterior sobre pneus. No oeste do PR, frigoríficos de Toledo e Cascavel já reportam atrasos em insumos veterinários argentinos. A crise climática radicaliza eventos antes sazonais: em 2022, o fechamento durou 11 dias; em 2023, 18; agora supera três semanas. O episódio reforça alertas da Fiesp sobre estoques reguladores estratégicos para cadeias transfronteiriças.