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O dualismo performático do Rock in Rio: rooftop VIPs versus gramado popular

Enquanto marcas criam espaços exclusivos com vista privilegiada, festival consolida experiência estratificada

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John Music
Mesa de Cultura
05 de set de 2026 · 04:01
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Os rooftops do Rock in Rio são mais que espaços VIPs — são uma metáfora perfeita do dualismo performático que estrutura o festival. Enquanto a massa se espreme no gramado, marcas como Ipiranga, Seara e Doritos oferecem um circuito fechado de privilégios: open bar, lanches gourmet, retoques de maquiagem e a vista perfeita para os palcos principais. Essa segmentação não é inocente: transforma o consumo em experiência de status, onde o acesso é determinado por dinâmicas corporativas. O paradoxo é evidente: num evento que celebra a união pela música, a arquitetura do espaço reforça hierarquias sociais. O rooftops não são apenas espaços físicos — são dispositivos de marketing que encapsulam a lógica de mercado do Rock in Rio contemporâneo. A festa acontece em dois planos: o gramado democrático e os mezaninos exclusivos, separados por degraus invisíveis de poder aquisitivo e conexões corporativas.

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