O Espanto Perdido: Como a Rotina Apaga o Mistério do Mundo
Em um mundo dominado pela produtividade e pela ciência, o espanto filosófico se torna raro, segundo Luiz Felipe Pondé
No diálogo Teeteto, Platão atribui a Sócrates a afirmação de que o espanto (thaumazein) é a origem da filosofia. Essa admiração profunda diante do mistério do Ser e do infinito do universo não é uma experiência trivial, mas uma condição fundamental para a cognição do mundo. Hoje, como nos lembra Luiz Felipe Pondé, essa capacidade de espantar-se está em risco. O desencantamento do mundo, teorizado por Max Weber, e a rotina incessante da vida moderna nos cegam para o sublime. O filósofo contemporâneo sugere que apenas um astronauta, ao ver a Terra do espaço, poderia ainda sentir algo próximo desse espanto original. A ciência moderna, apesar de seus avanços, contribui para essa perda ao explicar o que antes era mistério. Assim, o desafio atual não é apenas compreender o mundo, mas recuperar a capacidade de se maravilhar com ele.