O paradoxo dos impostos na América Latina: quem tem menos paga mais
Sistemas tributários regionais perpetuam desigualdades ao tributar consumo em vez de renda, aponta Oxfam
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A América Latina, uma das regiões mais desiguais do mundo, enfrenta um paradoxo fiscal: quem tem menos paga proporcionalmente mais impostos. Segundo a Oxfam, os sistemas tributários da região funcionam de maneira regressiva, onde os 50% mais pobres destinam cerca de 45% de sua renda a tributos, enquanto o 1% mais rico contribui com menos de 20%. Essa distorção ocorre porque a arrecadação depende principalmente de impostos sobre o consumo, que atingem proporcionalmente mais os lares de baixa e média renda.
Enquanto países europeus como Dinamarca e Noruega arrecadam mais de 35% do PIB em tributos, na América Latina essa participação é significativamente menor. Além disso, a região tributa mais o consumo diário do que rendas e fortunas, aprofundando as desigualdades. 'A tributação se baseia em impostos que aprofundam a desigualdade', afirma María Julia Eliosoff, economista da Fundação Friedrich Ebert na Argentina. Para especialistas, é urgente um novo pacto fiscal que reverta essa lógica e promova justiça social.