O Revivalismo Calculado de Eliana e a Nostalgia como Commodity
Ao resgatar Banana Split e Adriana Colin, Globo aposta no afeto como algoritmo de audiência
A investigação que a matéria não cobriu. Conexões, contexto histórico, fontes extras.
A estratégia do 'Em Família' de Eliana é sintomática: num momento em que a televisão tradicional vê seus ratings definharem, o revival de Banana Split não é acidente afetivo, mas cálculo de mercado. A Globo reativa a memória afetiva dos anos 1990 — quando a TV ainda era o centro cultural hegemônico — como antídoto contra a fragmentação digital. A volta de Adriana Colin, ídolo de uma geração pré-redes sociais, é operação cirúrgica: transforma a nostalgia em commodity audiovisual. O risco? O mesmo de qualquer repaginada: quando o passado vira conteúdo, perde sua potência disruptiva original e se torna pastiche. Eliana, que transitou do SBT para a Globo justamente capitalizando essa aura de 'infância perdida', agora replicará o modelo com os ídolos que a antecederam. O ciclo se fecha — e a indústria cultural continua girando sobre si mesma.