Pai de Henry Borel pede anulação de julgamento de Monique Medeiros
Marcelo Borel alega influência midiática no júri; MP vai recorrer de decisão que libertou Monique.
Marcelo Borel, pai de Henry Borel, criança de 4 anos morta em 2021, entrou com pedido de anulação do julgamento de Monique Medeiros, ex-mulher do vereador Dr. Jairinho. O recurso foi protocolado na Justiça do Rio de Janeiro nesta terça-feira (9). Borel alega que o júri foi influenciado por pressão popular e midiática, o que teria prejudicado a defesa de Medeiros. O caso ganhou repercussão nacional após denúncias de que Henry teria sido vítima de violência doméstica. Monique foi condenada a 31 anos de prisão por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, mas deixou a prisão após decisão do Tribunal de Justiça do Rio que concedeu habeas corpus para aguardar o julgamento em liberdade. O Ministério Público do Rio já anunciou que vai recorrer da decisão.
O pedido de anulação do julgamento de Monique Medeiros ocorre em um contexto de fragilidade processual que tem marcado casos de grande repercussão midiática no Brasil. A defesa de Marcelo Borel sustenta que o júri foi contaminado por uma narrativa pré-estabelecida, algo que especialistas em Direito Penal têm apontado como risco em casos de alta exposição pública. A saída de Monique da prisão, ainda que temporária, também reflete a complexidade do sistema judiciário brasileiro, onde decisões de instâncias superiores podem alterar o curso de processos já em andamento. O Ministério Público, ao anunciar que vai recorrer, reforça a polarização que tem caracterizado o caso desde o início. A Justiça do Rio de Janeiro agora terá que avaliar se o julgamento foi conduzido dentro dos parâmetros legais ou se houve influência externa que comprometeu a imparcialidade.