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Paul Schrader expõe as rachaduras do iluminismo em filme sobre culpa e desejo

Em 'The Basics of Philosophy', veterano do cinema americano questiona os limites da razão para resolver conflitos morais

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J
John Music
Mesa de Cultura
04 de set de 2026 · 17:02

Paul Schrader persiste em sua obsessão por homens atormentados, mas em 'The Basics of Philosophy' apresenta uma variação crucial: aqui, o tormento é epistemológico antes de ser moral. O filme — exibido fora da competição principal em Veneza — usa a figura de um professor de filosofia (Jack Huston) para questionar se a razão pode realmente redimir nossos piores instintos. O personagem, especialista em Espinoza, coleciona contradições: prega a ética enquanto carrega culpa por abuso sexual no passado, defende o determinismo racionalista mas vive em negação sobre sua própria sexualidade. Schrader opera no registro B que domina desde 'American Gigolo': há uma deliberada aspereza estética que colide com o tema elevado, como se o diretor dissesse que questões humanas complexas não cabem em embalagens nobres. O risco está na caricatura — algumas cenas beiram o melodrama — mas quando funciona, o filme alcança uma crueza que filmes mais polidos não ousariam. Num momento em que o cinema debate representação e redenção, Schrader oferece um anti-herói que desafia qualquer arco narrativo confortável.

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