Paula Fernandes e a Crítica do Feminejo: Entre o Passado e o Presente
Em entrevista à BBC, a cantora reflete sobre machismo no sertanejo, evolução do cenário para mulheres e a ressignificação de sua carreira
Paula Fernandes retorna à Festa do Peão de Barretos após uma década, marcando não apenas sua reaparição no maior rodeio da América Latina, mas também uma reflexão sobre as mudanças e permanências no sertanejo. Em entrevista à BBC, a artista mineira traçou um panorama de sua carreira, desde os botecos de Minas Gerais até o estrelato em 2011, quando foi a artista mais tocada nas rádios brasileiras.
Hoje, Paula observa que a indústria está mais acostumada à presença feminina no gênero, mas ainda há um longo caminho a percorrer. 'Não consigo descrever o olhar de espanto de quando eu chegava', relembra, destacando as pequenas resistências que enfrentava, como pedir um palco sem buracos para usar salto — necessidade feminina, não luxo, como ela mesma pontua.
Mesmo com o avanço representado pelo movimento feminejo e artistas como Marília Mendonça, a proporção de mulheres nos palcos de Barretos ainda é tímida: apenas 13,6% dos artistas programados para sexta-feira são mulheres, número que cai para 11,6% ao considerar todo o evento. Paula celebra, no entanto, que novas gerações, como Ana Castela, não precisem enfrentar os mesmos estigmas que ela — como as fofocas de que sua carreira foi impulsionada por supostos affairs com homens da indústria.
Ao revisitar sua trajetória em seu novo álbum, '30 & Poucos Anos', e comemorar 42 anos em palco, Paula Fernandes não apenas celebra sua história, mas também reforça a necessidade de um sertanejo mais inclusivo e menos estereotipado.