PEC do Banco Central enfrenta resistência do governo Lula
Proposta de autonomia financeira pode ser engavetada após oposição do Palácio do Planalto.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa garantir a autonomia financeira do Banco Central enfrenta forte oposição do governo Lula e corre risco de ser engavetada. A medida, que já havia sido aprovada na Câmara dos Deputados, agora depende do aval do Senado para seguir adiante. O governo argumenta que a PEC pode comprometer a coordenação entre política monetária e fiscal, além de criar custos adicionais para o Tesouro Nacional. Enquanto isso, servidores do BC pressionam por avanços em suas demandas, que podem ser transferidas para outros projetos. O impasse ocorre em meio a um cenário de alta dos juros e desafios econômicos, levantando dúvidas sobre o futuro da proposta.
A PEC do BC é menos sobre autonomia e mais sobre controle político. O governo Lula sabe que conceder independência ao BC pode enfraquecer sua capacidade de influenciar a política monetária, especialmente em ano de ajuste fiscal. Mas a oposição ao projeto também reflete uma disputa interna: ministérios econômicos se veem em rota de colisão com o Banco Central, que busca blindar suas decisões. Para os servidores, a autonomia financeira é uma moeda de troca em negociações salariais — algo que o governo prefere resolver fora da PEC. O timing é suspeito: com eleições municipais no horizonte, o Palácio do Planalto não quer dar munição para críticas de falta de controle sobre a economia. A engavetagem da PEC seria conveniente para ambas as partes, enquanto servidores e mercado pressionam por migalhas.