PF rastreia R$ 1,4 milhão de Frias e empresa investigada para filme sobre Bolsonaro
Operação revela rede de transferências para produtora com movimentações atípicas de R$ 19 milhões
A investigação que a matéria não cobriu. Conexões, contexto histórico, fontes extras.
A Polícia Federal identificou repasses de R$ 1,4 milhão do deputado Mário Frias (PL-SP) e da empresa NTT Brasil para a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme 'Dark Horse' sobre Jair Bolsonaro. As transferências ocorreram entre outubro e dezembro de 2025, período de gravações do filme em São Paulo. Frias repassou R$ 645,4 mil em menos de 60 dias - volume que a PF questiona, já que seus rendimentos mensais são de R$ 44 mil. A NTT Brasil, ligada a um grupo empresarial que inclui fornecedores contratados pelo Instituto Conhecer Brasil (presidido por Karina Gama, dona da Go Up), transferiu R$ 750 mil. O ICB recebeu emenda de Frias e subcontratou empresas do mesmo grupo. A PF identificou movimentações atípicas de R$ 19 milhões pela Go Up no período. Frias nega irregularidades e chama a operação de 'cortina de fumaça'.
A teia financeira revelada pela PF sugere um esquema de circulação de recursos com múltiplos pontos de conexão política. Frias, ex-secretário de Cultura de Bolsonaro, mantém laços com o clã Bolsonaro - evidenciado pela participação de Flávio Bolsonaro no projeto cinematográfico. O timing das transferências coincide com o período pré-eleitoral, quando o filme poderia servir como instrumento de campanha indireta. A estrutura de repasses via ONG e empresas interligadas é característica de operações de 'lavagem de propósito', onde o fluxo financeiro obscurece o destino final dos recursos públicos. A escolha da produtora Go Up, com histórico de projetos alinhados ideologicamente, indica um padrão de alocação seletiva de recursos. O volume movimentado pela produtora (R$19 milhões) contrasta com os valores típicos do mercado audiovisual brasileiro, levantando questões sobre a natureza real dessas operações.