Plano de Musk para data center espacial pode monopolizar órbita terrestre
Projeto de US$ 2,4 trilhões enfrenta críticas por impacto ambiental e poluição visual do céu noturno.
A SpaceX, empresa de Elon Musk, anunciou planos ambiciosos para lançar uma rede de data centers espaciais que poderá aumentar o número de satélites em órbita de menos de 20 mil para mais de um milhão até 2035. O projeto, avaliado em US$ 2,4 trilhões, foi apresentado aos investidores durante o IPO da empresa, que captou US$ 75 bilhões. Os lançamentos devem começar em 2028. Astrônomos criticam o projeto, destacando impactos negativos como a poluição visual do céu noturno, efeitos no ciclo de sono dos animais e danos ambientais devido aos milhões de lançamentos necessários. Uma simulação feita pela professora Samantha Lawler da Universidade de Regina mostrou que, durante o solstício de verão, o número de satélites visíveis em São Paulo saltaria de zero para 14.072. O projeto ainda depende de uma licença da FCC, que já acelerou o processo de avaliação pública, algo incomum para propostas desse tipo.
O plano da SpaceX para saturar a órbita terrestre com data centers espaciais não é apenas uma expansão tecnológica, mas uma estratégia de domínio territorial. Ao lançar um milhão de satélites, Musk não só cria infraestrutura para serviços digitais, mas também monopoliza o espaço orbital, dificultando a entrada de concorrentes. A velocidade incomum com que a FCC tratou o caso sugere alinhamento político, especialmente considerando o histórico de Musk com o governo Trump. A oposição dos astrônomos e ambientalistas, embora legítima, enfrenta um empreendimento que já mobilizou US$ 75 bilhões em investimentos, tornando difícil qualquer veto. Além disso, o timing do IPO e o anúncio simultâneo do projeto indicam uma jogada para inflacionar o valor da SpaceX no mercado, usando o hype da 'nova fronteira' espacial como catalisador financeiro. A falta de detalhes técnicos sobre as órbitas e o impacto ambiental sugere que a SpaceX está mais interessada em garantir o espaço (literalmente) do que em resolver os problemas que cria.