Polícia prende novos suspeitos por morte em rope jump em Limeira
Caso expõe falhas na regulamentação de esportes radicais em ponte abandonada
A Polícia Civil de São Paulo prendeu neste sábado (20/06/2026) uma mulher e dois homens suspeitos de envolvimento na morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21 anos, durante prática de rope jumping na Ponte do Esqueleto em Limeira (SP). As identidades dos novos detidos não foram divulgadas. Eles se somam a outros três instrutores já presos: Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves, transferidos na terça-feira (16) para o CDP de Guarulhos. O caso, investigado como homicídio com dolo eventual, ocorreu no dia 13 quando a vítima saltou de 40 metros sem as duas cordas de segurança obrigatórias. A cena foi registrada em vídeo que viralizou. A prefeitura de Limeira anunciou ação judicial contra a União, alegando que a fiscalização da ponte é responsabilidade federal. A SPU respondeu que a estrutura pertence a trecho ferroviário desativado da RFFSA, com transferência patrimonial concluída em março deste ano.
O caso expõe a frágil regulamentação de esportes radicais no interior paulista, onde atividades como rope jumping operam em zonas cinzentas de responsabilidade. Limeira, polo metalúrgico de 310 mil habitantes, vê crescer o turismo de aventura sem infraestrutura adequada. A Ponte do Esqueleto, construída nos anos 1970 para o ramal ferroviário Limeira-Cordeirópolis, tornou-se atração informal após décadas de abandono. A recente transferência para a SPU não impediu o uso irregular. Investigados alegam esquecimento sobre protocolos de segurança - padrão comum em pequenas empresas do setor que priorizam custos sobre treinamento. A prefeitura busca transferir culpa à União, mas omitiu ações municipais preventivas. O timing é sensível: 2026 é ano eleitoral em Limeira, com o prefeito Mario Botion (PSD) no segundo mandato. O caso deve reacender debates sobre fiscalização de atividades turísticas em estruturas públicas degradadas.