Programas habitacionais de Lula e Flávio Bolsonaro divergem em segundo turno
Minha Casa Minha Vida e Casa Verde e Amarela apresentam abordagens distintas para o déficit habitacional
O debate sobre políticas habitacionais ganha destaque no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, com propostas distintas dos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Enquanto o atual presidente defende a continuidade e ampliação do Minha Casa, Minha Vida, que já contratou 2,7 milhões de moradias desde 2023, o senador propõe retomar o programa Casa Verde e Amarela, criado na gestão de seu pai, com meta de 2,5 milhões de unidades e redução de juros. Ambos os programas focam no subsídio para habitação popular, mas sem detalhamento orçamentário das novas propostas. O Minha Casa, Minha Vida, retomado em 2023 pela Lei 14.620, recebeu recentemente aporte extra de R$ 20 bilhões do Fundo Social e ampliou o Reforma Casa Brasil para famílias com renda de até R$ 13 mil. Já o Casa Verde e Amarela, que Flávio promete trazer de volta, foi criticado por Lula em evento de entrega de moradias, quando afirmou que a população nunca recebeu as casas prometidas pelo programa anterior.
A disputa por políticas habitacionais reflete diferenças estruturais na abordagem do déficit habitacional brasileiro. Enquanto o Minha Casa, Minha Vida, criado em 2009, consolidou-se como política de estado com três fases distintas (incluindo seu breve renomeamento para Casa Verde e Amarela), sua retomada em 2023 pelo governo Lula manteve a arquitetura original do programa. A ênfase petista em urbanização de periferias através do Periferia Viva contrasta com a proposta bolsonarista de redução de juros e maior participação do setor privado. Vale notar que ambos os programas dependem criticamente da capacidade de estados e municípios em oferecer contrapartidas e terrenos - gargalo histórico na execução habitacional. No oeste paranaense, onde o déficit habitacional atinge 8,7% dos domicílios (IPARDES 2023), a discussão sobre qual modelo melhor atenderá cidades como Cascavel (que tem 12 mil famílias no cadastro único) e Foz do Iguaçu (com desafios específicos de ocupação irregular em áreas de fronteira) será crucial no pleito regional.