Queda no financiamento coloca em xeque combate à Aids
Corte de 25% em 2025 afeta países dependentes de recursos externos, alerta UNAIDS.
A investigação que a matéria não cobriu. Conexões, contexto histórico, fontes extras.
O financiamento global para programas de prevenção e tratamento do HIV-Aids registrou queda de 25% em 2025, segundo relatório da UNAIDS divulgado na 26ª Conferência Internacional sobre Aids, realizada no Rio de Janeiro. A redução é atribuída principalmente ao corte de verbas dos Estados Unidos, que historicamente lideram o apoio internacional à causa. Beatriz Grinsztejn, presidente da Sociedade Internacional de Aids (IAS), alertou que países de baixa e média renda, que dependem de financiamento externo em até 65% de seus programas, já estão reduzindo serviços essenciais. O relatório aponta 1,2 milhão de novos casos de HIV e 570 mil mortes relacionadas à Aids em 2025, com aumento de infecções em países como Brasil, Paquistão, Filipinas e Madagascar. Líderes globais destacaram avanços científicos, como novos medicamentos preventivos, mas enfatizaram que inovação sem acesso não resolve a crise.
A queda no financiamento global para o combate ao HIV ocorre em um momento de transição na política internacional de saúde. A redução de 25% em 2025, liderada pelos cortes dos EUA, reflete uma mudança estratégica na gestão de Donald Trump, que priorizou políticas internas em detrimento de programas globais. Países de baixa e média renda, que dependem fortemente de recursos externos, enfrentam agora um dilema: como manter programas essenciais sem o apoio histórico de doadores. O Brasil, que aparece entre os países com aumento de casos, vive uma situação paradoxal. Enquanto avanços científicos oferecem novas ferramentas de prevenção e tratamento, a falta de financiamento impede sua aplicação em larga escala. A crise expõe a fragilidade de um modelo que depende de poucos países para sustentar a resposta global ao HIV. A necessidade de diversificar fontes de financiamento e fortalecer sistemas locais de saúde torna-se urgente para evitar retrocessos.