Raízen confirma acordo de dívida extrajudicial de R$ 64,7 bilhões
Shell e Cosan reforçam participação com aportes bilionários em reestruturação.
A Raízen, empresa brasileira de energia e combustíveis, confirmou nesta sexta-feira (5) um acordo de reestruturação extrajudicial de dívidas no valor de R$ 64,7 bilhões. O acordo foi aprovado por mais de 75% dos credores, incluindo detentores de títulos internacionais, locais e bancos, evitando assim uma recuperação judicial. A Shell, principal acionista, aportou R$ 3,5 bilhões, aumentando sua participação para cerca de 12%. Rubens Ometto, controlador da Cosan, investiu R$ 500 milhões através de seu fundo familiar Aguassanta. Parte das dívidas foi convertida em participação acionária, com 45% do endividamento transformado em equity a R$ 0,25 por ação. O plano também prevê refinanciamento ou substituição dos créditos restantes por novos títulos de dívida, além de opções de pagamento com deságio e antecipado.
O acordo da Raízen reflete um momento crítico no setor de combustíveis no Brasil, marcado por desafios financeiros e operacionais. A participação significativa da Shell e da Cosan indica uma estratégia de fortalecimento da empresa diante de um mercado volátil. A conversão de dívida em equity pode atrair novos investidores, mas também dilui o controle acionário existente. Este movimento é emblemático de tendências recentes no setor energético, onde empresas buscam alternativas para evitar processos judiciais complexos e prolongados. O impacto regional pode ser sentido principalmente em áreas onde a Raízen possui forte presença, como no oeste do Paraná, onde a empresa opera postos de combustíveis e distribuição. A estabilização financeira da Raízen pode influenciar positivamente o mercado local de combustíveis e energia.