Regina Silveira repete fórmula monumental com costura digital em Brasília
Artista cobre prédio de Niemeyer com adesivos que simulam tecido, mas resgate tátil esbarra em contradição tecnológica
O gesto tem a grandeza habitual: Regina Silveira envolve mais um marco arquitetônico — desta vez o Sesi Lab de Niemeyer — com seus adesivos vinílicos que simulam tramas têxteis (530m² de superfície transformada). A operação estética, porém, perde força ao se tornar previsível: é a quarta intervenção idêntica em fachadas, depois do MASP, Palácio das Artes e museu mexicano. A ironia salta aos olhos quando a mesma exposição inclui 'Dígito' — obra dos anos 1980 originalmente feita com lâmpadas, agora recriada em painel digital de 100m². O paradoxo entre o discurso antitecnológico e a prática high-tech revela a armadilha da monumentalidade: para manter escala institucional, até o tátil precisa ser produzido industrialmente. A costura que quer ser humana só existe como simulacro.