Regulamentação da cannabis medicinal abre espaço para disputa entre farmacêuticas e startups
RDC 1.015/2026, debatida no WNTC, pode redistribuir forças no mercado de saúde suplementar
A nova regulamentação da cannabis medicinal, objeto da RDC 1.015/2026 discutida no World Nutraceutical Trade Congress, não se trata apenas de flexibilização burocrática. O que está em jogo é uma redistribuição de poder entre atores consolidados e novos entrantes no mercado da saúde suplementar. Para as grandes farmacêuticas, a norma representa uma ameaça ao modelo fechado de controle de patentes, enquanto startups de biotecnologia veem uma janela para sair da marginalidade regulatória. O timing não é inocente: em um momento de crescente demanda por tratamentos alternativos, a própria Anvisa parece dividida entre proteger os incumbentes e estimular a concorrência. A questão central é se o ganho em pesquisa e desenvolvimento virá às custas da concentração de mercado ou de uma real democratização do acesso.