Robert Pattinson e a arte de interpretar o desprezível
Em 'Primetime', ator consolida carreira além do mainstream ao encarnar figura controversa inspirada em Chris Hansen
A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.
Robert Pattinson parece ter encontrado seu nicho definitivo: personagens moralmente ambíguos, à beira do colapso. Em 'Primetime', longa de estreia de Lance Oppenheim no Festival de Veneza, o ator interpreta uma versão ficcional de Chris Hansen, jornalista por trás do polêmico programa 'To Catch a Predator'. A escolha é sintomática: Pattinson vem construindo uma carreira que rejeita o protagonismo heroico em favor de papéis complexos e desconfortáveis. Desde 'O Farol' até 'Morra, Amor', o ator transformou sua imagem pós-'Crepúsculo' numa galeria de anti-heróis. O filme, uma sátira sombria da mídia, reacende o debate sobre a espetacularização do jornalismo. Hansen, que não participou da produção, já criticou o filme sem tê-lo visto — e aproveitou o lançamento para promover seu próprio serviço de streaming. Pattinson, por sua vez, parece cada vez mais comprometido com um cinema que questiona, em vez de entreter.