Robinho muda estratégia defensiva com novos advogados
Após rejeição do STF, ex-jogador busca explorar diferenças entre legislações italiana e brasileira.
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O ex-jogador Robinho, condenado por estupro na Itália e cumprindo pena no Brasil desde 2024, nomeou novos advogados para sua defesa. Anderson Luna, Mário Vale e Bruno Cândido agora lideram os recursos no STJ e STF. A mudança ocorre após o STF rejeitar, em agosto de 2025, um recurso questionando o cumprimento da pena no país. Robinho foi transferido em novembro de 2025 da Penitenciária de Tremembé para o Centro de Ressocialização de Limeira, em São Paulo. Os novos advogados argumentam que o regime de cumprimento da pena no Brasil é mais gravoso do que na Itália, onde o estupro não é classificado como crime hediondo. Anderson Luna afirmou à Folha que a pena deve ser cumprida de forma 'justa, proporcional e regular'. O escritório de José Eduardo Rangel de Alckmin, primo do vice-presidente Geraldo Alckmin, continua envolvido na defesa.
A troca de advogados de Robinho é uma jogada estratégica que revela uma tentativa de reconfigurar a narrativa jurídica em torno de seu caso. A contratação de Luna, Vale e Cândido — profissionais com atuação em São Paulo e Minas Gerais — sugere uma busca por expertise regionalizada e conexões políticas nos tribunais superiores. A ênfase na diferença entre as legislações italiana e brasileira sobre o estupro é um movimento calculado para explorar brechas técnicas e pressionar por uma progressão penal mais branda. O timing da mudança, após a rejeição do recurso no STF e a transferência para Limeira, indica uma reavaliação da estratégia defensiva. O envolvimento contínuo do escritório de Rangel de Alckmin, ligado ao vice-presidente Geraldo Alckmin, sugere que a defesa busca manter influência política em alto nível. A questão central, no entanto, permanece: até que ponto a Justiça brasileira deve ceder à pressão técnica e política para revisar uma sentença internacionalmente consolidada?