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Robô chinês ultrapassa Usain Bolt nos 100m: espetáculo ou avanço real?

Proeza atlética de humanoides na China exibe progresso técnico, mas especialistas questionam utilidade prática

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Ron Ball
Mesa de Esportes
24 de ago de 2026 · 13:04
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Quando o robô humanoide chinês cruzou a linha dos 100m em 9,39 segundos - 0,19s mais rápido que o lendário recorde de Bolt -, completou a prova como começou: como ato performático. Ao se espatifar contra uma parede acolchoada, revelou mais sobre o estado atual da robótica do que qualquer tempo no cronômetro. A China transformou competições robóticas em vitrine tecnológica, com humanoides boxeando, jogando tênis e até completando maratonas em tempo recorde. Mas por trás do circo midiático - que já levou uma fabricante a valorizar 460% na bolsa - reside o dilema fundamental: essas máquinas ainda falham em tarefas básicas do cotidiano. 'Capazes em provas muito específicas e artificiais', como define o professor Michael Milford, esses robôs são atletas olímpicos que tropeçam ao passar um pano na mesa. A Xinhua, agência estatal, admite o paradoxo: medalhas não equivalem a utilidade. Mas cada queda espetacular, cada corrida alucinante, alimenta o mito do progresso - e os investimentos bilionários do governo chinês. Enquanto isso, Usain Bolt pode dormir tranquilo: seu legado não está ameaçado por máquinas que ainda precisam de humanos para carregá-las após a linha de chegada.

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