Rogério Valença e o Forró Que Desafinou Antes da Hora
Vocalista da Calcinha Preta nos anos 90 deixa legado de hits que reinventaram o gênero, mas carreira foi interrompida por problemas de saúde
A morte de Rogério Valença aos 55 anos fecha um capítulo singular na história do forró eletrônico. Seu timbre aveludado em clássicos como 'Eterno Amor' e 'Louca por Você' (1998-2000) trouxe uma sensualidade urbana a um gênero então dominado por vozes ásperas e duplos sentidos rurais. A doença renal que o acometeu nos últimos anos revela o custo físico da rotina exaustiva dos trios elétricos - Valença chegou a integrar quatro bandas simultaneamente. Sua trajetória pós-CP, passando por grupos como Caviar com Rapadura, mostra um artista em busca de sínteses impossíveis entre sofisticação e apelo popular. O forró perde não um ícone, mas um experimentador que ousou repaginar o gênero sem trair suas raízes.