Santa Marta busca alternativa à crise energética pós-guerra no Irã
Conferência reúne grandes produtores de combustíveis fósseis para discutir transição energética
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A cidade caribenha de Santa Marta, na Colômbia, recebe a partir desta sexta-feira, 24 de abril de 2026, representantes de cerca de 60 países, além de acadêmicos, povos tradicionais, organizações da sociedade civil e setor privado, para discutir uma saída para a dependência global de combustíveis fósseis. O encontro ocorre em meio à crise energética provocada pela guerra no Irã, que levou à maior interrupção no fornecimento de petróleo da história. Apesar da ausência dos maiores emissores de CO₂, como China e Estados Unidos, e dos países árabes, a conferência reúne grandes produtores de petróleo, gás e carvão, como Canadá, Brasil, México, Noruega e Austrália. Organizada por Colômbia e Holanda, a conferência busca romper o impasse deixado pela COP30, realizada em Belém, que não conseguiu trazer respostas para o principal desafio do combate à crise climática: a necessidade de dar um fim aos combustíveis fósseis. O evento é visto como uma tentativa de contornar as amarras das COPs, onde acordos dependem de consenso.
A Conferência de Santa Marta é menos sobre salvar o planeta e mais sobre salvar a economia global de uma crise energética agravada pela guerra no Irã. A ausência de China e Estados Unidos, os maiores emissores de CO₂, revela que o evento é um esforço de segunda linha, liderado por países intermediários como Colômbia e Holanda, que buscam influência geopolítica. O timing estratégico, cinco meses após a COP30, mostra uma tentativa de corrigir o fracasso de Belém, onde a dependência de consenso travou qualquer avanço significativo. A participação de grandes produtores de combustíveis fósseis, como Brasil e Noruega, sugere que o objetivo não é abandonar o petróleo, mas diversificar as fontes de energia para reduzir a vulnerabilidade a choques de preços. A conferência é um sinal claro de que o multilateralismo climático está em crise, e que os países estão buscando caminhos alternativos fora do regime formal da ONU.