São Paulo descarta segundo caso suspeito de ebola; paciente segue internada
Secretaria de Saúde intensifica vigilância após dois casos suspeitos em menos de duas semanas
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo descartou nesta sexta-feira, 12, o segundo caso suspeito de ebola registrado no Estado neste ano. As análises laboratoriais realizadas pelo Instituto Adolfo Lutz confirmaram que a paciente, uma brasileira de 31 anos que viajou para a província de Kivu do Norte, no leste da República Democrática do Congo, não está infectada pelo vírus. Ela retornou ao Brasil no último sábado, 6, e começou a apresentar sintomas como diarreia e febre na terça-feira, 9. Após procurar atendimento em um hospital particular da capital, foi transferida para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, onde permanece internada com evolução clínica favorável e em tratamento para gastroenterocolite aguda. A SES iniciou a investigação porque a paciente preencheu os critérios de definição de caso suspeito, devido ao histórico de viagem a país com áreas de transmissão da doença e sintomas apresentados. No início do mês, São Paulo descartou o primeiro caso suspeito de ebola deste ano, um congolês de 37 anos. As análises detectaram Neisseria meningitidis, bactéria causadora da meningite meningocócica. A pasta informou que intensificou as ações de vigilância epidemiológica após o registro do primeiro caso suspeito, incluindo um treinamento online para profissionais de saúde e atualização da Nota Informativa Conjunta sobre o vírus.
A rapidez com que São Paulo descartou dois casos suspeitos de ebola em menos de duas semanas não é mera coincidência. O timing coincide com um período de intensificação da vigilância epidemiológica, iniciado após o primeiro caso suspeito. A Secretaria de Estado da Saúde tem incentivos claros para demonstrar eficiência e controle diante de uma doença que, mesmo com risco baixo de introdução no Brasil, carrega um alto potencial de pânico público. O fato de ambos os casos envolverem pacientes com histórico de viagem à República Democrática do Congo, região endêmica para o ebola, sugere uma estratégia de monitoramento seletivo. A transferência da paciente para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, referência nacional, também é parte de um protocolo que busca evitar falhas de diagnóstico que poderiam gerar críticas ao sistema de saúde. A atualização da Nota Informativa Conjunta e o treinamento online para profissionais reforçam a narrativa de preparo, embora o risco real permaneça baixo. Em um ano eleitoral, a SES tem motivos adicionais para evitar qualquer crise de saúde pública que pudesse ser explorada politicamente.