'Seleção está vivendo em negação': o que a eliminação para a Noruega revela sobre o modelo do futebol brasileiro
Derrota nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 expõe declínio estrutural e falta de adaptação às novas realidades do futebol global
A eliminação do Brasil para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 não foi apenas um resultado ruim — foi um espelho de um declínio estrutural que vem se desenhando há anos. Com apenas 33,5% de posse de bola e uma derrota por 2 a 1 no MetLife Stadium, em Nova Jersey, a seleção brasileira viveu sua pior campanha desde 1990, ampliando um jejum de títulos que já dura 28 anos. Para Samindra Kunti, jornalista e especialista em futebol brasileiro, o problema vai além de uma má fase: trata-se de uma incapacidade de reconhecer que o mundo do futebol mudou. 'O Brasil foi ultrapassado pela Europa', afirma Kunti. 'Enquanto países como Bélgica, Holanda, Croácia e até a Noruega industrializaram suas bases de formação, o Brasil ainda se agarra à ideia de que o talento natural basta.' O elenco atual, segundo ele, é o retrato dessa estagnação. Com exceção de Vinícius Júnior e alguns poucos nomes, como Gabriel e Marquinhos, trata-se de uma geração mediana, incapaz de competir com as novas potências do futebol global. A arrogância de se considerar 'a seleção do futebol' parece ter cegado o país para a necessidade de se adaptar. O desafio agora não é apenas encontrar um novo técnico — é repensar todo um modelo que está obsoleto.