Setor audiovisual brasileiro busca novo modelo com hubs regionais
Indústria de R$ 70 bilhões tenta superar concentração paulista e carioca com descentralização, mas desafios logísticos persistem
O anúncio de um hub audiovisual para ampliar negócios do setor no Brasil chega em momento estratégico: após anos de crescimento acelerado, a indústria de R$ 70 bilhões enfrenta novos desafios de escala e logística. A concentração histórica em São Paulo e Rio de Janeiro mostra sinais de esgotamento, com custos operacionais crescentes e saturação de profissionais qualificados. A descentralização proposta é herdeira tardia de iniciativas anteriores, como os polos criativos de Recife e Porto Alegre nos anos 2000, mas agora busca estruturar um ecossistema mais robusto. O timing coincide com o aumento de produções internacionais filmadas no país e a necessidade de criar infraestrutura para sustentar essa demanda. No entanto, a iniciativa enfrenta obstáculos: além da carência de mão de obra especializada fora dos grandes centros, persiste a falta de políticas públicas integradas entre estados. O sucesso depende da capacidade de articular interesses regionais divergentes em um mercado ainda pulverizado.