Teatros da Amazônia são eleitos novos patrimônios culturais mundiais da Unesco
Reconhecimento reforça narrativa de integração regional e pode impulsionar turismo.
A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.
Os teatros Amazonas, em Manaus, e da Paz, em Belém, foram reconhecidos como patrimônios culturais mundiais pela Unesco durante o 48º comitê internacional da organização, realizado em Busan, Coreia do Sul. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (27), após um processo que envolveu avaliações técnicas e debates entre os 21 países-membros do comitê. O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) defendia a inclusão dos dois teatros como um conjunto, superando a sugestão inicial do Icomos (Conselho Internacional de Monumentos e Sítios) de incluir apenas o Teatro Amazonas. Ambos os teatros foram construídos durante o ciclo da borracha na Amazônia e são tombados pelo Iphan desde a década de 1960.
O reconhecimento dos teatros da Amazônia como patrimônio cultural mundial pela Unesco é mais do que uma vitória simbólica para o Brasil. O Iphan teve que superar uma recomendação inicial do Icomos para incluir apenas o Teatro Amazonas, o que sugere uma disputa técnica e política por trás da decisão final. A inclusão de ambos os teatros como um conjunto reforça a narrativa de integração regional e cultural da Amazônia, uma estratégia que pode ter sido crucial para garantir o apoio dos países-membros do comitê. Além disso, o timing coincide com um momento em que o Brasil busca fortalecer sua imagem internacional em questões culturais e ambientais. A decisão também pode ter implicações econômicas, potencialmente aumentando o turismo e a visibilidade das duas cidades.