Terras raras brasileiras viram peça em disputa EUA-China
Aquisição da Serra Verde por empresa americana ocorre em meio a corrida por suprimentos estratégicos
A investigação que a matéria não cobriu. Conexões, contexto histórico, fontes extras.
A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.
O Departamento de Defesa dos EUA está de olho nas reservas brasileiras de terras raras, minerais estratégicos para a indústria bélica e de energia limpa. A China domina mais de 90% do processamento global desses elementos, usados em armamentos como mísseis Tomahawk e caças F-35. Em resposta, os EUA proibirão a partir de 2027 a compra de ímãs feitos com terras raras chinesas ou de países como Rússia e Irã. No centro dessa disputa está a Serra Verde, única mineradora comercial de terras raras no Brasil, recentemente adquirida pela americana USA Rare Earth. A empresa goiana assinou contrato de fornecimento exclusivo por 15 anos com uma empresa não identificada, capitalizada por agências governamentais e privadas dos EUA. Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram mudança no fluxo de exportações: após enviar 678 toneladas para a China em 2026, Minaçu (GO) exportou duas toneladas para os EUA em fevereiro deste ano. A aplicação final do material não foi divulgada.
A aquisição da Serra Verde pela USA Rare Earth não é um mero negócio comercial, mas uma peça no tabuleiro geopolítico. Os incentivos convergem: o Pentágono precisa diversificar suas fontes de terras raras longe da China, enquanto o Brasil busca investimentos para sua transição energética. O timing é revelador - o anúncio ocorre meses antes da proibição americana de 2027, sugerindo uma corrida para estabelecer cadeias de suprimentos alternativas. A estrutura do acordo (15 anos, 100% da produção para uma empresa não nomeada) indica um contrato sob medida para prioridades estratégicas dos EUA. A ausência de transparência sobre o destino final do material - omitido tanto pela mineradora quanto pelas autoridades - sugere aplicações sensíveis. O histórico recente mostra um padrão: Washington vem usando instrumentos econômicos para garantir acesso a minerais críticos, enquanto Pequim responde com controle de exportações. O Brasil, com a segunda maior reserva global, tornou-se território dessa batalha silenciosa.