Thinking Machines lança modelo de IA com tecnologia chinesa
Mira Murati, ex-OpenAI, aposta em pesos abertos e inspiração chinesa para competir no mercado de IA.
A Thinking Machines Lab, empresa fundada pela ex-diretora de tecnologia da OpenAI Mira Murati, apresentou seu primeiro modelo de inteligência artificial de uso geral, o Inkling. O modelo foi desenvolvido com base em tecnologia chinesa, inspirado no DeepSeek-V3 e refinado usando dados gerados pelo Kimi K2.5 da Moonshot AI. O lançamento ocorre em um momento em que os modelos chineses superaram os americanos em desempenho geral, segundo dados da plataforma OpenRouter. O Inkling, embora abaixo dos principais produtos da OpenAI e Anthropic, será de pesos abertos, permitindo que usuários hospedem e ajustem o modelo para usos específicos. A Thinking Machines recebeu um investimento inicial de US$ 2 bilhões, avaliada em US$ 12 bilhões pós-aporte, com apoio de Andreessen Horowitz, Nvidia, AMD e Jane Street. Murati, que teve papel destacado na destituição de Sam Altman da OpenAI em 2023, fundou a empresa em fevereiro de 2025 após sair da OpenAI em setembro de 2024.
O lançamento do Inkling pela Thinking Machines Lab não é apenas um marco técnico, mas uma jogada estratégica em um cenário geopolítico e concorrencial complexo. Mira Murati, após sua saída tumultuada da OpenAI, busca reposicionar-se no mercado de IA com um modelo que se apoia em tecnologia chinesa, uma escolha que reflete tanto a competitividade técnica quanto as tensões comerciais entre EUA e China. A decisão de adotar pesos abertos pode ser vista como uma tentativa de atrair desenvolvedores e empresas que buscam maior controle sobre seus modelos, em contraste com as abordagens mais fechadas de OpenAI e Anthropic. Além disso, o timing do lançamento coincide com o avanço dos modelos chineses, sugerindo uma estratégia de alinhamento com tendências globais emergentes. O apoio de investidores de peso como Andreessen Horowitz e gigantes de hardware como Nvidia e AMD indica uma confiança significativa no potencial da empresa, mas também levanta questões sobre os interesses estratégicos desses apoiadores no cenário de IA global.